segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

: Sobre Silêncio e Poesia

Mario Quintana é a figura perfeita para avô. Ao contemplar sua imagem a associo automaticamente à presença do avô. Pois bem, esta postagem é uma homenagem aos meus dois avôs os quais já estão em outra dimensão e, infelizmente, não puderam presenciar o lançamento de meus livros.
Sempre defendi a teoria de que o horário comercial dos poetas vai das 00:00 h às 06:00 da manhã. Perguntariam os leitores, Por quê? A principal razão é o silêncio. Nele aparecem as musas e as até então mudas palavras as quais realmente podem mudar o curso da existência de alguém, ainda que este ser seja apenas e tão somente o poeta responsável por elas.



















Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.
(Mario Quintana)


*Agradecimentos especiais a uma pessoa singular. Uma moça que achou esse fragmento de Quintana e gentilmente me presenteou com tão leves e intensas palavras.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

: Sobre Sol , Lua e Vitrais

Vitral so(L)unar

Sol
de
mel.
Lua
de
sal.
Sal
do
sol.


Lua
no
céu.

Azul vitral.
Turquesa luz
Beleza tua
Não
se
mostra
nua.

Mas leveza
d’alma reluz.

Inigualável és.

Nem
raio
de
sol
nem
gota
de
lua
chegam
aos
pés


de
seu
charme

delicadamente fatal.

Andarilho das Sombras - Copyright©2006

domingo, 2 de janeiro de 2011

: Sobre Pormenores

O que é um esmeno senão um detalhe? Por maiores que sejam os grandes feitos, há neles sempre alguns detalhes cuja presença faz toda a diferença. Assim também é na poesia. Por menor que seja o pormenor, ele está no verso ou na imagem poética criada por ele e, mais dia... menos dia, será percebido. Seja na primeira, segunda ou 'enésima' leitura.


Trança Acetinada (Allegro)

Leio, cifro,
decifro
a partitura do seu suspiro.

Na alma, impressa, está a imagem
da musa que mais parece
louça
lusa.

Livre livro escrito com palavras ternas,
entrecortadas na entrelinha do grito

retirado da entranha do prazer,
transmutado em mito.

Verso pós verso feito pela libido
traduzida em braile

pelo cego desejo de meu tato
ao tomar um breve visual contato

com a trança acetinada da blusa
a cruzar suas desnudas costas,

palmilhadas pela insanidade
sensorial a qual não explica

a precisa sensação
ilimitada de inesgotável
amor conjugado à paixão.

Em minhas mãos resta apenas o rastilho,
vestígio de um lúdico e lúbrico idílio

com gosto de lume e o cheiro inequívoco
do seu - somente seu - perfume de sedução.

Andarilho das Sombras - Copyright©2009.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

: Sobre Sombras - Sedução

Sob severa sentença de sumária solidão, sinuosas
Silhuetas simetricamente sobrepostas no sombrio
Submundo das sombras sucumbem aos sofisticados
Sofismas da sórdida serpente...

Somam-se em somática simbiose.
Somem em simultâneo singular.
Sorvem-se em sedenta sedução.

Submersas em sereno silêncio, sentem o sustenido
Som das seqüências semifusas e
Semibreves em si e sol da solene sinfonia de setembro;
Soam os sinos soltando seus solos soturnos e solitários...


Sobre a seda sobram:
Sal, suor, suspiros, Sussurros,
Sossego e sinais de sofreguidão...

Somente os sábios
Sabem a secreta senha da sublime
Sensação: Sagrado segredo
Semeado no salubre sangue dos servos,
Simples semeadores da surreal semente dos sonhos.


Texto: Síndrome Sigmática
Andarilho das Sombras - Copyright©1997.
Todos os direitos
reservados sobre o texto .

terça-feira, 16 de novembro de 2010

: Sobre O Tempo e a Felicidade










O Sorriso do Tempo



A felicidade
é um sorriso
aberto
na face
do Tempo.

Corre
escorre
ocorre
decorre

que
nem mesmo
o próprio
Tempo
sorri
o
Tempo
todo.

Texto: Andarilho das Sombras - Copyright©2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

: Sobre Dança e Fogo

Uma de minhas grandes frustrações é não poder dançar. Nem em pares, nem de forma solitária.
A dança expressa muito bem a plasticidade e elasticidade com as quais o corpo pode se manifestar em dançante evolução. No entanto, o fato de não poder dançar não impediu a criação de um de meus poemas mais imagéticos. Uma celebração à vida e sua movimentação. Detalhe: Este texto serviu de release para uma coreografia de dança com mesmo nome do poema.

Rito ao Fogo

Oh fogo, que encandece as entranhas do dragão,
ouça o grito nascido na profundeza do pulmão
daquele povo que tua fúria e beleza enaltece,
desce desse altar onde posa com altivez de mito.
Circula por entre veia e artéria,
do humano aquece espírito e matéria
pra que de Vulcano se possa evocar a força.
Teu calor entorpece: como se uma chama insípida,
inodora e incolor pudesse provocar uma espécie
de furor intenso e indolor.
Ígnea centelha desperta a alquimia vermelha
de sentimentos como a dor e o ardor de uma paixão,
fabricando movimentos os quais lembram
a pirotecnia de um amor em combustão.

Oh fogo, tu que és o único dos quatro fundamentais
elementos capaz de incendiar a anatomia dum corpo,
molda esta coreografia conforme tua vontade,
o que antes era estática partícula,
agora é a mais pura e plástica verdade.

Eis uma celebração
onde a única religião
é a arte pela arte
e cada humana labareda
faz da dança um estandarte

Texto: andarilho das sombras - Copyright©1998
Imagens: google.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

: sobre o jogo da vida















Alguns encaram a vida como um jogo (de interesses) . Não estão totalmente errados. Mas prefiro crer em algo maior. Se isso ainda assim for uma jogatina, seja esta pois para se apostar na evolução do Homem e não em sua gradual degradação enquanto espécie. Que venha então um xeque-mate com muito lirismo e crença em algo sublime, algo tão magnífico quanto degustar taças do mais refinado vinho - quer seja ao lado dos amigos ou na meia-taça - oferecida aos humanos pelos semi-deuses, discípulos de Baco, em suaves, porém selvagens corpos femininos.


Xeque-Mate

Drop’s de hortelã ou anis
apura o hálito da boca
à caça
d’um beijo com ardis.

Na tela, um drama de Almodóvar
procura mostrar talvez
ser o amor a mola-mestra
da trama
pela qual o mundo se mova.

Um jogo de xadrez
cujo objetivo do xeque-mate
ainda é depor reis,
(psicologicamente)
provando quão
seu reinado foi vão,
levando a rainha pra alcova
ou mesmo amando-a no chão
faça sol ou porventura chova.

Então, vem rainha,
seja minha
somente por devoção
mata a sede que me consome

com o néctar de sua vinha e sacia
a mais impiedosa
fome que agora se amplia,

com a carne da fruta-pão.

O vinho enfeitiça atiça
coloca-me num torpor
a pele libera expele
a fórmula mestiça
do êxtase
inconfundível odor,
mesmo não sendo
advinnho posso supor
em breve será feito Amor


Vem, meu corpo envolva
sem qualquer pudor
sorva
com a saliva meu sabor
até que eu (prazerosamente)
lhe absorva
magicamente resolva
lhe provar
sem tirar de Cartola
a fantástica e simples descoberta
de que as rosas não falam,
simplesmente as rosas exalam
nosso enredo
antes do filme terminar.

Texto: andarilho das sombras - Copyright©2001.
Imagens: Google/1000imagens.com

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